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quinta-feira, 18 de março de 2010

Chef Toshio Tanahashi visita Brasil para difundir a culinária Shôjin Ryôri




Com a intenção de divulgar a tradicional culinária vegetariana Shôjin Ryôri aos brasilerios, o chef japonês Toshio Tanahashi chega ao país, pela primeira vez, para dois jantares-demonstrações, nos dias 24 e 25 de março de 2010, no restaurante Kinoshita, e uma palestra gratuita, no dia 28 de março de 2010, no Pavilhão Japonês, situado no Parque do Ibirapuera, ambos em São Paulo.

O cardápio preparado especialmente para o jantar-demonstração compõe-se de uma sequência de entrada, caldo, arroz, dois pratos, pasta e doce. A base dos ingredientes da gastronomia Shôjin é legumes, verduras, cereais, cogumelos, frutas e algas marinhas, evitando o uso de carnes e peixes.


A promoção fica por conta da Comissão de Gastronomia Japonesa da Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e Assistência Social - BUNKYO, conta com o apoio da Japan Founda

tion, e colaboração do Consulado Geral do Japão em São Paulo.


Demonstração da Gastronomia Shôjin

Data: 24 e 25 de março de 2010, às 19h

Local: Restaurante Kinoshita

Rua Jacques Felix, 405 - Vila Nova Conceição - São Paulo

Informações: (11) 3849 6940

Vagas limitadas



Palestra sobre a Gastronomia Shôjin

Data: 28 de março de 2010, às 14h30

Local: Pavilhão Japonês - Parque do Ibirapuera (portão 10)

Avenida Pedro Álvares Cabral, s/nº - Vila Mariana - SP

Evento Gratuito

Informações: (11) 3208-1755 (ramal 124) / 5081-7296

Vagas limitadas (serão preenchadas conforme a ordem de chegada)


Toshio Tanahashi mestre na arte Shôjin Ryôri


Toshio Tanahashi, disseminou o tradicional estilo culinário Shôjin Ryôri no Japão e pelo mundo. Proprietário do restaurante Gesshinkyo durante 1992-2007, em Tóquio, acredita que os vegetais constituem uma rica fonte alimentar e que esta prática - que transcende os aspectos alimentares, sendo considerada a base da culinária tradicional japonesa - compreende uma atitude de profundo respeito para o ritmo e harmonia da natureza, possibilitando um diálogo com a gastronomia mundial, assim como a Slow Food, praticada amplamente na Europa e também com adeptos no Brasil.


Tanahashi nasceu em Kumamoto, Japão. Estudou Economia Agrícola na Universidade de Tsukuba. Entre 1987 e 1989, permaneceu como aprendiz no templo zen budista Gesshinji, na província de Shiga. Durante o ano 2000, a Revista Vogue Japon publicou uma série de artigos sobre a culinária de Toshio Tanahashi. E essa história de vida, foi dramatizada num programa de televisão intitulado Honmamon - A coisa verdadeira - transmitida pela emissora NHK.


Em 2000, publicou pela Editora Bunka o livro de receitas culinárias Yasai wa tensai - Shôjin: verdura sábia - no qual esquematiza a filosofia Shôjin Ryôri. Em 2003, junto com a culinária francesa desenvolveu receitas para ampliar as possibilidades da cozinha vegetariana em Tóquio. Realizou palestras e demonstrações em Victoria Albert Museum - Londres, Japan Society - Boston e Nova Iorque, dentre outros locais. Desde 2008 organiza o Instituto Culinário Zecoow e leciona arte culinária na Universidade de Arte e Design de Kyoto - Japão.


Shôjin Ryôri - aprimorando o espírito


Shôjin (精進) é composto de dois ideogramas: (shô) que significa espírito e (jin) progresso. Denota o desenvolvimento espiritual, da ação cotidiana de controle de si até a aquietude do espírito, do sentimento de gratidão, dedicação e crença para seguir o próprio caminho.


Shôjin Ryôri foi introduzida no Japão junto com o budismo chinês no século VI e difundiu-se com o desenvolvimento do zen-budismo a partir do século XIII.

É possível apontar duas razões para que essa culinária tenha encontrado um terreno fértil no Japão, primeiro pela geográfica e topográfica, em virtude da grande facilidade para o cultivo de verduras. A segunda razão é a religião, pois o budismo orienta não matar e tal preceito aplica-se aos seres humanos e todos os animais, inclusive insetos, eliminando, assim, a opção da carne e peixe como fonte de alimento.


Pode-se compreender melhor a shôjin ryôri por intermédio de um trecho da obra zen-budista “Zen’en seiki” que se refere ao cuidado com a escolha do produto e técnica, bem como ao modo de se alimentar:


Na preparação dos alimentos, tenha constantemente o espírito moral. Cuide-se para escolher o produto das quatro estações. Determine o modo mais adequado para a preparação dos ingredientes. Introduza as variações das técnicas culinárias. Esforce-se para enaltecer a comunidade monástica a fim de que seja possível saborear os alimentos com alegria”.



Mesmo a Shôjin Ryôri, apesar de leve, não é para ser consumida com exagero. É preciso considerá-la como fonte medicinal e comer apenas o suficiente para assegurar a saúde, porque, afinal, o alimentar-se significa proteger o corpo de doenças e da morte.


Desde o momento da criação de Shôjin Ryôri, inclui-se o desejo de salvar o ser humano do sofrimento e contribuir para a conquista da felicidade.